E que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos nem a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso, e a outra é um vulcão.
Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia, e a outra metade é canção
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor, e a outra metade...
também.
http://www.vagalume.com.br/oswaldo-montenegro/metade-cifrada.html#ixzz19AryzWyS
domingo, dezembro 26, 2010
quarta-feira, dezembro 22, 2010
A HISTORIA QUE EU QUERIA SABER CONTAR. (NATAL 2010)
Estamos proximos ao Natal. Os transeuntes seguem agitados de um lado para o outro, em suas pesquisas de preços, em suas aquisições dos sonhos de consumo, entrando em caixas de dívidas com o coração transbordante de esperança de que, após a noite do dia 31 de dezembro de 2010, exatamente a meia-noite, suas vidas deixem de ser abóboras para se transmutarem em carruagens, em castelos, em sonhos realizados, em príncipes, reis, princesas e rainhas...
Eu gostaria de saber contar uma historia que fosse encantadora, mas por hora é assim que vai saindo: palavras, palavras, palavras.
Eu gostaria de saber escrever poesias e contos infantis, espero um dia ler algo parecido e maduramente revisado.
Estamos próximos ao Natal. Correm de um lado em busca de presentes, se esquecem das sementes de caráter em troca de video games.
Uma garotinha caminha "arrastada" pela mãe que, agitada busca o melhor presente para a filha. A menina olha para o alto e vê, entre os passantes, por quase uma fresta, um pedacinho do céu...ah.. que lindo! repleto de estrelas, cintilantes, algumas cadentes, parece até que foram colocadas lá, uma a uma. Seus olhos brilham refletinto o brilho estelar.Que bom seria encontrar como presente de Natal um caminho para uma daquelas estrelas. a menina nao tinha como imginar, então criou uma ponte no limite da fila do caixa onde sua mae estava...de repente, uma estrela cadente abriu espaço entre todo mundo e caiu aos pes da menina... pensou :-" vou ou não vou? " VOUUUUU....... escorregou rumo acima, coisa que parece sem sentido, mas detalhe este que cabe apenas na idéia ao autor; como que magia, naquele escorregador prateado, onde ela ria, sorria e gargalhava de tão gostoso que sentia! pouco tempo passou e ela alcançou um lugar muito lindo, vazio, mas branco e prateado! "seria uma estrela"? perguntou a si mesma. Neste momento, uma pequena bolinha prateada escura encostou nela... ela emitia um som que pedia uma lágriama. A menina olhou, mas sem espanto para a bolinha, colocou-a nas mãos e ouviu nitidamente- "sou uma estrela, estou morrendo, somente uma lágrima de uma criança na noite de Natal poderá dar-me o sôpro da vida novamente"... a menina ficou triste e enternecida...naturalmente uma lágrima rolou de seu olhar banhando a bolinha...que ganhou luz e vida! como gratidão, aconchegou a menina em seu laço brilhante de estrela, e ela adormeceu sorrindo e feliz!
Neste momento, a mãe da menina se deu por conta de que sua filha tinha desaparecido.Desesperada, começou a gritar, as pessoas ao redor começaram a busca. Um anônimo avistou uma garotinha dormindo debaixo do balcão da loja onde dormia com um leve sorriso no semblante coberta com uma sêda leve e aconchegante. A mãe, comovida pegou-a em seus braços e partiu, sentindo a alegria contagiante da filha.
Era esta a historia que eu queria contar, de uma forma doce, suave, com palavras singelas.
Espero que um dia, algum escritor, poeta, o faça de uma forma tão delicada, com palavras mais adequadas e que esta história faça muitos sorrirem e encontrarem o verdadeiro significado do NATAL.
viviane lee
Eu gostaria de saber contar uma historia que fosse encantadora, mas por hora é assim que vai saindo: palavras, palavras, palavras.
Eu gostaria de saber escrever poesias e contos infantis, espero um dia ler algo parecido e maduramente revisado.
Estamos próximos ao Natal. Correm de um lado em busca de presentes, se esquecem das sementes de caráter em troca de video games.
Uma garotinha caminha "arrastada" pela mãe que, agitada busca o melhor presente para a filha. A menina olha para o alto e vê, entre os passantes, por quase uma fresta, um pedacinho do céu...ah.. que lindo! repleto de estrelas, cintilantes, algumas cadentes, parece até que foram colocadas lá, uma a uma. Seus olhos brilham refletinto o brilho estelar.Que bom seria encontrar como presente de Natal um caminho para uma daquelas estrelas. a menina nao tinha como imginar, então criou uma ponte no limite da fila do caixa onde sua mae estava...de repente, uma estrela cadente abriu espaço entre todo mundo e caiu aos pes da menina... pensou :-" vou ou não vou? " VOUUUUU....... escorregou rumo acima, coisa que parece sem sentido, mas detalhe este que cabe apenas na idéia ao autor; como que magia, naquele escorregador prateado, onde ela ria, sorria e gargalhava de tão gostoso que sentia! pouco tempo passou e ela alcançou um lugar muito lindo, vazio, mas branco e prateado! "seria uma estrela"? perguntou a si mesma. Neste momento, uma pequena bolinha prateada escura encostou nela... ela emitia um som que pedia uma lágriama. A menina olhou, mas sem espanto para a bolinha, colocou-a nas mãos e ouviu nitidamente- "sou uma estrela, estou morrendo, somente uma lágrima de uma criança na noite de Natal poderá dar-me o sôpro da vida novamente"... a menina ficou triste e enternecida...naturalmente uma lágrima rolou de seu olhar banhando a bolinha...que ganhou luz e vida! como gratidão, aconchegou a menina em seu laço brilhante de estrela, e ela adormeceu sorrindo e feliz!
Neste momento, a mãe da menina se deu por conta de que sua filha tinha desaparecido.Desesperada, começou a gritar, as pessoas ao redor começaram a busca. Um anônimo avistou uma garotinha dormindo debaixo do balcão da loja onde dormia com um leve sorriso no semblante coberta com uma sêda leve e aconchegante. A mãe, comovida pegou-a em seus braços e partiu, sentindo a alegria contagiante da filha.
Era esta a historia que eu queria contar, de uma forma doce, suave, com palavras singelas.
Espero que um dia, algum escritor, poeta, o faça de uma forma tão delicada, com palavras mais adequadas e que esta história faça muitos sorrirem e encontrarem o verdadeiro significado do NATAL.
viviane lee
sábado, julho 03, 2010
NAMASTÊ YOGA - 2010 (continuação )

2.6 Ioga e seus benefíciosO ioga não é nenhum tipo de ginástica ,. mas.uma prática completa. Compreende técnicas corporais, bioenergéticas, emocionais, mentais, etc., através de exercícios respiratórios, relaxamentos, limpeza de órgãos internos, vocalizações, concentração, meditação, remetendo a uma filosofia de vida, a uma interiorização do Yoga. Mesmo os exercícios físicos do ioga não são puramente físicos e são completamente diferentes dos da ginástica. Até as regras e os princípios são totalmente diversos (Taimni, 2001).
Vejamos alguns segmentos :
2.6.1 Movimento
Mais do que o movimento, o que importa é a permanência na fase crítica do exercício e, mais do que a repetição do mesmo exercício, importa a diversificação das técnicas, ainda que possam ser convergentes com relação aos efeitos proporcionados, respeitando os limites de cada um e sempre de maneira confortável (A’DDAGIO, Gerson – Curso Básico para Yoga – teórico e prático 2ª. Ed., 2009 – Ed. Phorte)
2.6.2 Aquecimento
O aquecimento prévio acontece de maneira natural, mesmo que esteja muito frio. Apesar disso, no ioga não se observam distensões pois respeita-se sempre o limite de cada um. O fenômeno explica-se, em parte, pela ampla consciência corporal desenvolvida pelo praticante, que passa a conhecer perfeitamente seus limites e sabe que não deve excedê-los e, em parte, pela sofisticada tecnologia desenvolvida empiricamente durante cinco mil anos de experiência (A’DDAGIO, Gerson, 2009).
Quando um praticante de ioga é surpreendido por um incidente físico contará com músculos, articulações e ligamentos bem condicionados a reagir sem a necessidade de aquecimento prévio. Como um gato, ele não “fica” em condições , ele torna seu corpo em condições de enfrentar o desafio. Depois, volta rapidamente à calma (PILSS-SAMEK, 1979).
2.6.3 Áreas atingidas
No ioga os efeitos começam se processando nas áreas mais profundas e afloram até chegar ao corpo. Nele, manifestam-se inicialmente nos sistemas nervoso e endócrino. Depois, nos órgãos internos e beneficiando músculos e articulações .( A’DDAGIO, Gerson, 2009)
Músculos e articulações são as partes enfocadas no ioga e assim adquirimos uma performance muscular e articular excepcional, com efeitos obtidos nas áreas mais profundas são mais eficazes (ROJO, Marcos).
2.6.4 Respiração
No ioga, uma das primeiras coisas é reaprender a respirar. Respirar sempre pelas narinas, fora os casos excepcionais. Faz-se treinamento para dominar eletivamente os músculos respiratórios abdominais numa circunstância, intercostais noutra, sub-claviculares noutra e assim por diante. Controlamos diferentes ritmos para distintos objetivos, e acoplamos a determinados exercícios respiratórios a contração deste ou daquele plexo ou glândula endócrina, a fim de dinamizar a força do exercício (PILSS-SAMEK, 1979).
Utiliza-se diferentes exercícios respiratórios e alguns que não podem sequer ser ensinados por livros, tal o poder que possuem e sua capacidade de atingir o Samãdhi (PILSS-SAMEK, 1979).
2.6.5 Gasto de energia
No ioga, ocorre parco dispêndio de energia , sendo até, próximo de zero. Em todos os feixes de técnicas capta-se, gera-se, canaliza-se ou armazena-se energia solar, prãnica de diversos tipos, das mais variadas fontes limpas e inesgotáveis (PILSS-SAMEK, 1979).
Por isso os exercícios de ioga são agradáveis e não cansam. Mesmo sem esforço os efeitos ocorrem com intensidade, desde o primeiro dia (PILSS-SAMEK, 1979).
2.7 A importância do ioga na escola
Na educação, há dificuldades como a ansiedade, o estresse, os horários extensos e carregados de atividades, o ruído, o cansaço, os nervos antes dos exames, etc., que se vê refletidos nas crianças e nos professores. A ioga dá ferramentas que ajudam a equilibrar as energias, focalizar a atenção, relaxar as tensões físicas e mentais e gerar um melhor ambiente para trabalhar em sala de aula (PILSS-SAMEK, 1979).
2.8 Caminhos do Ioga
2.8.1 Visão Geral das Vias Tradicionais
Ioga é um estado de ser além da mente que surge quando a mente se aquieta e desaparece a idéia de si mesmo baseada no tempo (FEUERSTEIN, 1998).
É o acesso ao Ser Uno, de onde emergem as múltiplas coisas existentes. Yoga é Ser o Um! (FEUERSTEIN, 1998)
As práticas do Ioga são formas de intervenção sobre as estruturas e funções que constituem o ente humano. Existem modelos diferentes para o entendimento da constituição humana, mas alguns elementos básicos são consenso em quase todos os mapeamentos e são suficientes para explicar as Vias Tradicionais do Ioga (FEUERSTEIN, 1998).
Algumas dessas estruturas e funções básicas são: mental-intelectual, afetiva, fisiológica e bioenergética ou prânica. Esta última é constituída basicamente pelos canais (nadís) por onde flui a Energia Vital (Prana) em suas diversas manifestações, e pelos Chakras, que são centros de captação, armazenamento e distribuição de Prana para nutrir as funções de todos os demais corpos (nome que essas estruturas recebem na terminologia do ioga) (FEUERSTEIN, 1998).
As Vias do ioga são um conjunto de práticas e ensinamentos que envolvem de forma mais ativa e direta uma ou mais dessas estruturas e funções, no trabalho de criação das condições para o Estado além da mente e do ego (FEUERSTEIN, 1998).
È claro que a prática envolvendo um corpo repercute sobre os demais, pois o ente humano é um todo integrado. Mas o trabalho pode ocorrer a partir de um ou mais desses corpos, e isso determina a característica dos Exercícios e Ensinamentos, que constituem uma determinada Via de ioga. Como Ioga é um estado que surge quando a mente se aquieta, e Meditação é exatamente este aquietamento, sem Meditação não existe ioga. O Dhyan Yoga (Ioga da Meditação) é por isso, o ponto de convergência de todas as Escolas e Mestres, embora as Técnicas utilizadas possam ser diferentes (FEUERSTEIN, 1998).
A origem real das Vias do Ioga é o próprio movimento do ente humano em direção a descoberta de si mesmo. Quando esse movimento espontâneo acontece a partir do aspecto cognitivo, no sentido de apreender a verdade intrínseca da existência e de si mesmo o ensinamento do Ioga é o Jnana Marga (caminho da sabedoria). Quando esse mesmo movimento ocorre pela mobilização da energia afetiva, amorosa surge o Bhakti Yoga ou algum aspecto do Tantra Ioga no qual se torna possível a experiência do amor incondicional (Rosa, Paulo Murilo – Os segredos do Tantra e do Ioga - 2003).
Se o indivíduo aborda a vida muito mais pelo seu aspecto prático, impulsionado naturalmente à realização, ao trabalho, então vemos um movimento pelo caminho da ação, e a necessidade é questionar as motivações, de onde nasce a ação, o que a impulsiona? De onde ela vem? O mergulho profundo nessas questões juntamente com a Meditação constitui o Caminho da ação completa, livre do passado e do futuro. O Karma Ioga (FEUERSTEIN, 1998).
O Raja se torna naturalmente o caminho quando há um anseio de mergulhar em seu próprio espaço interior em direção ao silêncio completo da mente (FEUERSTEIN, 1998).
Nos iogas Tântricos o trabalho envolve todos os corpos e funções humanas, incluindo elementos de todas as outras Vias. É um ioga integral e em quase todas as formulações não precisa que o praticante se retire da visa social e familiar normal (FEUERSTEIN, 1998).
O ioga sendo uma dimensão além da mente libera o espaço transcendental inatingível pelas palavras e pelo pensamento articulado. O risco de se utilizar nomes nesse caso, é o de aprisionar em conceitos aquilo que os pensamentos não podem captar. Por isso ao se utilizar as palavras “Absoluto; Divino, Consciência Atemporal e outros, é bom lembrar que essas palavras ao tentarem mostrar, na verdade escondem o que é dito. É preciso então apreender atentamente, em completo silêncio Aquilo que elas escondem ao serem usadas (FEUERSTEIN, 1998).
O ioga é um voltar-se para a descoberta do que o próprio ioga é. Todas as Práticas e Ensinamentos de qualquer Via, visam, em última instância a vivência da “parada das ondas mentais”, a partir da qual a percepção se amplia e é possível a descoberta de si mesmo em seu mais profundo núcleo de Identidade, a dimensão atemporal de Consciência (FEUERSTEIN, 1998).
ioga é, portanto, o espaço interior onde emerge a Identidade mais profunda do Ser. O que o Ser humano é se revela no que é o ioga. O Ser é no ioga. Ou o ioga é o espaço onde o Ser é (FEUERSTEIN, 1998).
Podemos dizer que ioga é o que em verdade somos em nosso mais profundo núcleo de Ser. Nós somos o ioga !. O ioga e nós somos Um. Esse é o significado da palavra: União! A consciência da Unidade (FEUERSTEIN, 1998).
Mas a palavra ioga é usada não apenas para se referir ao Estado de Consciência, como também para se referir às Práticas e Ensinamentos capazes de facilitar a parada das ondas mentais e tudo o que disso decorre (FEUERSTEIN, 1998).
A arte de mergulhar e descobrir essa dimensão é a Meditação, sem a qual não existe ioga. Meditação é dissolver toda a camada de condicionamentos, padrões mentais, estereótipos, medos e anseios que constituem o conteúdo da consciência temporal. E com isso abrir-se para um estado de Liberdade Total ( Kaivalya) (FEUERSTEIN, 1998).
2.8.2 Yoga Integral de Sri Aurobindo
2.8.2.1 Sri Aurobindo
Nasceu em Calcutá, no dia 15 de agosto de 1872. Foi educado na Inglaterra sendo um estudante exemplar em grego e latim. Estudou por si mesmo o alemão e italiano e, no seu retorno a Índia aprendeu o sânscrito. Poeta, iogue e mestre espiritual dotado de poderosa e abrangente visão de síntese, integrou os modos de consciência do oriente e do ocidente (CARRINTON, 1987).
Exerceu uma decisiva participação nos movimentos políticos para independência da Índia. É esta luta política que o leva a aproximar-se do Ioga, em busca de maior força para ajudar sua nação (CARRINTON, 1987).
Em maio de 1908 é preso sob acusação de conspirar contra o governo britânico, sendo libertado após um ano sem nenhuma evidência de valor estabelecida a seu respeito. Na prisão teve uma série de experiências espirituais que depois de algum tempo o levam a se concentrar em sua nova tarefa: aprofundar sua realização individual no Ioga e transformá-la numa realização terrestre (CARRINTON, 1987).
2.8.2.2 Mirra Alfassa
Blanche Rachel Mirra Alfassa nasceu em 21 de fevereiro de 1878, em Paris.
Sua educação foi livre de qualquer influência religiosa. Durante sua infância já tinha a consciência da existência de uma força e luz que trabalhava dentro de seu corpo de uma forma sobrenatural. Entre 1893 e 1897 estudou na academia de artes Julian em Paris, tornando-se uma Artista de destaque. Seu encontro com Sri Aurobindo ocorreu em 29 de março de 1914, "tão logo eu vi Sri Aurobindo eu reconheci nele aquele o qual eu chamava de Krishna e isto foi suficiente para explicar porque eu fiquei totalmente convencida que o meu lugar e o meu trabalho eram ao lado dele na Ìndia” (CARRINTON, 1987).
Retorna então para França de onde, em decorrência da primeira guerra, segue para o Japão permanecendo de 1915 a 1920. Os anos em que lá viveu foram uma excelente oportunidade de aprendizado com uma nova cultura. possuidora de um perfeito amor pela natureza e beleza, e que influenciou fortemente as bases da criação do Yoga Integral.A mãe retorna para Pondicherry, desta vez permanentemente.Em 1920, gradativamente se envolve com as atividades do Sri Aurobindo Ashram .
Em 24 de novembro de 1926 Sri Aurobindo se retira em reclusão permanente deixando ao encargo da Mãe toda a vida material e espiritual do ashram. A Mãe se retirou, em março de 1962, para um apartamento no segundo andar da casa principal e nunca mais desceu. Em seus últimos anos vivenciou e descreveu processos de transformação do corpo físico, descobrindo e experienciando a Consciência celular e sua abertura e permeação pela consciência mais alta. Deixou o corpo em 17 de novembro de 1973, com 95 anos de idade (CARRINTON, 1987).
2.8.2.3 As aulas de ioga Integral
As aulas de ioga Integral têm por objetivo fornecer os ensinamentos necessários ao perfeito e livre desenvolvimento das capacidades física, mental, vital, psíquica e espiritual de Cada aluno, conforme suas necessidades individuais (LUCY, 1987).
2.9 Importância do ioga ser inserido na Escola (Ioga e a criança)
Os exercícios desenvolvem a concentração bem como a sensibilidade do corpo, sendo muito mais de natureza interior do que físico-fisiológica, despertando – possivelmente – a percepção das dimensões enormes em que um simples gesto corpóreo pode nos introduzir (LUCY, 1987).
2.9.1 A metodologia do ensino
O Ioga é uma arte milenar e complexa que segue um parâmetro técnico e espiritual, fundamentado nas literaturas sagradas da Índia como por exemplo, o Ioga Sutras de Patãnjali – texto clássico que contém profundos ensinamentos sobre Raja Ioga, o Hatha Ioga, Pradipik, descrito por Swami Svatmarama e o clássico Bhagavad Gitã com sua suprema mensagem de autoconhecimento e auto-realização (Swami kavaliananda).
Dentro do aspecto educacional propriamente dito o Ioga Integral se baseia, além dos clássicos da Literatura Sagrada, em alguns princípios fundamentais.
O primeiro princípio do ensinar verdadeiro é que nada pode ser ensinado (Taimni 1979 – Palestra prof. Dr. Collaça – UFSCar -05-2010).
O professor não é um instrutor ou mestre de tarefas, ele é alguém que ajuda e guia. Sua tarefa é sugerir e não impor. Ele, no fundo, não treina a mente do aluno, ele apenas lhe mostra como aperfeiçoar seus instrumentos de conhecimento, e o encoraja no processo. Ele não transmite conhecimento, ele lhe mostra como adquirir conhecimento para si mesmo. Ele não faz aparecer o conhecimento que está dentro; apenas lhe mostra onde se situa e como pode ser habituado a subir à superfície. Este princípio serve para crianças e adultos, a diferença de idade serve apenas para diminuir ou aumentar a quantidade de ajuda necessária; não muda sua natureza (Taimni 1979).
O segundo princípio é que a mente tem que ser consultada em seu próprio crescimento (Taimni 1979).
A idéia de martelar a pessoa para dentro de uma forma desejada pelos pais ou professor é uma superstição bárbara e ignorante. É ela própria que deve ser levada a expandir-se de acordo com sua própria natureza (Taimni 1979 – Palestra prof. Colaça).
Estabelecer de antemão as qualidades, virtudes, capacidades ou idéias que o indivíduo deve possuir é forçar a natureza a abandonar seu próprio Dharma. É uma tirania egoísta sobre a alma humana e um ferimento à nação, que perde o benefício do melhor que um ser humano poderia ter dado a ela e, em vez disto, é forçada a aceitar algo imperfeito e artificial, de segunda mão, padronizado e comum. Cada um tem em si algo divino, algo bem seu, uma chance de perfeição e força em uma esfera, por menor que seja, que Deus oferece a ele para pegar ou recusar. A tarefa é encontrar isto e desenvolvê-lo e usá-lo (Taimni – Palestra prof. Colaça- Curso UFSCar05- 2010).
O terceiro princípio da educação é trabalhar a partir do que está perto para o que está distante, a partir do que é para o que deve ser (Taimni – Palestra prof. Collaça- Curso UFSCar 05-2010)
A base da natureza humana é quase sempre - em acréscimo ao passado de sua alma - sua hereditariedade, seu ambiente, sua nacionalidade, seu país, o ar que ele respira, as paisagens, sons e hábitos a que ele está acostumado. É disto então que temos que começar. Não devemos arrancar a natureza pelas raízes da terra em que ela deve crescer, ou rodear a mente com imagens e idéias de uma vida que é estranha a esta em que deve fisicamente se mover. Se alguma coisa tem que ser introduzida de fora, ela deve ser oferecida, não forçada sobre a mente. Um crescimento livre e natural é a condição do desenvolvimento genuíno. É o arranjo de Deus que nossas almas pertençam a uma nação, época e sociedade particulares. O passado é nossa fundação, o presente é nosso material e o futuro é nosso objetivo e cume (Taimni – Palestra prof. Collaça- Curso UFSCar 05-2010).
2.9.2 A Sadhana (disciplina espiritual)
O aspirante a sadhana (disciplina espiritual) é orientado a trabalhar dentro de quatro austeridades ou quatro disciplinas (tapasya). Antes de abordar a descrição dos quatro gêneros de austeridades exigidas, é preciso esclarecer uma questão que é a fonte de muitas confusões .
Geralmente confunde-se austeridade com mortificação, e quando se fala em austeridade, isso faz pensar na disciplina do asceta Hindu que, para evitar a árdua tarefa da espiritualização da vida física, vital e mental, a declara intransformável e a afasta para longe de si. Para o ioga Integral o problema é bem diferente, a austeridade a que o Ioga Integral se refere consiste não em uma supressão, uma abolição, mas numa transmutação, numa sublime alquimia (Taimni – Palestra prof. Colaça- Curso UFSCar 2010).
Devemos nos disciplinar em construir em nós nervos enrrigessidos em músculos elásticos e poderosos para poder suportar tudo, quando isto for indispensável. Mas ao mesmo tempo é preciso ter muito cuidado em só exigir de seu corpo o esforço estritamente necessário, o dispêndio de energia que favoreça o progresso e o crescimento, interditando categoricamente tudo o que produz uma fadiga extenuante e que finalmente conduz à decadência e à decomposição materiais, evitando-se este abuso (Taimni – Palestra prof. Colaça- Curso Capacitação em Yoga pela UFSCar em 05- 2010).
Insistir na auto educação do vital. O ser vital em nós é a sede dos impulsos e dos desejos, do entusiasmo e da violência, da energia dinâmica e das depressões desesperadas, das paixões e das revoltas. Ele pode pôr tudo em movimento, construir e realizar; mas ele pode também destruir e estragar tudo. Assim, talvez no ser humano, ele é a parte mais difícil de disciplinar. É preciso aprender a se observar, a notar suas reações, seus impulsos e suas causas, a tornar-se testemunha perspicaz de seus desejos, dos movimentos de violência e paixão, dos instintos de posse, de apropriação e de domínio, e do “background” de vaidade sobre o qual eles se apóiam com seus complementos de fraqueza, desencorajamento, depressão e desespero (Taimni – Palestra prof. Colaça- Curso Capacitação em Yoga pela UFSCar em 05- 2010).
Para que o processo seja útil, juntamente com o crescimento do poder de observação, deve crescer também a vontade de progresso, de aperfeiçoamento. A vontade pode ser cultivada e desenvolvida como se desenvolvem os músculos, por exercícios metódicos e progressivos. Não se deve ter medo de exigir de sua vontade o seu esforço máximo, mesmo para uma coisa que parece sem importância, pois é pelo esforço que sua capacidade cresce e adquire pouco a pouco o poder de aplicar-se mesmo às coisas mais difíceis.
O que você decidiu fazer você deve fazer, custe o que custar, mesmo se para isto for preciso recomeçar seu esforço um grande número de vezes ( Fundamentado na obra de TAIMNI – Palestra proferida pelo ilustre prof. Collaça- Curso Capacitação em Yoga pela UFSCar em 05- 2010).
Não menos e nem mais importante, mas de igual necessidade para o desenvolvimento é o conhecimento ou educação do mental. O mental não é um instrumento de conhecimento, é impossível para ele encontrá-lo, mas ele deve ser movido pelo conhecimento. O conhecimento pertence a um domínio muito mais elevado que o da mentalidade humana, bem acima da região das idéias puras. O mental deve estar atento e silencioso, para receber o conhecimento do alto e para manifestá-lo; pois ele é um instrumento de formação, de organização e de ação; e é nestas funções que ele atinge seu valor pleno e sua real utilidade, é assim que combate “Adijuna” ( Fundamentado na obra de TAIMNI – Palestra proferida pelo ilustre prof. Collaça- Curso Capacitação em Yoga pela UFSCar em maio - 2010).
Outra característica da educação mental é o controle da fala. Importantíssimo JEJUM da FALA hoje tão raro. Muitas disputas podem ser assim evitadas e é sempre bom controlar as palavras que pronunciamos e nunca deixar a língua ser movida por um movimento de cólera, de violência ou de irritação. Não devemos emprestar nossa boca para que más vibrações sejam projetadas na atmosfera ( Fundamentado na obra de TAIMNI – Palestra proferida pelo ilustre prof. Collaça- Curso Capacitação em Yoga pela UFSCar em 05- 2010).
Disciplina fundamental: Amor – educação física, psíquica e espiritual. Todo indivíduo traz dentro de si a possibilidade de uma consciência superior, que ultrapassa os esquemas de sua vida atual. O que a consciência mental não sabe e não pode, esta consciência sabe e faz. Ela é como uma luz que brilha no centro do ser, e irradia através das grossas cobertas da consciência exterior. As educações (física, vital e mental) são o meio de construir a personalidade, de fazer surgir o indivíduo da massa amorfa e subconsciente, para fazer dele uma entidade bem definida e consciente de si. Com a educação psíquica, abordamos o verdadeiro motivo da existência: a consagração do indivíduo ao seu princípio eterno – Dharma” ( Fundamentado na obra de TAIMNI – Palestra proferida pelo ilustre prof. Collaça- Curso Capacitação em Yoga pela UFSCar em 05- 2010).
NAMASTÊ YOGA - 2010
"O Deus que habita em mim,Saúda o Deus que habita em você".
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( O conteúdo que se segue faz parte de trabalho de conclusão de curso, Capacitação em Yoga - Hatha Yoga, pela Universidade Federal de São Carlos - SP. Trata-se de uma Revisão de Bibliografias. aluna: Viviane Lee)
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Desenvolvido na Índia, há 5000 anos, o Ioga é uma disciplina que envolve a mente e o corpo, unindo trabalho físico, mental e espiritual. Apesar do Ioga estar ligado às tradições hindu, não discrimina raça, religião ou qualquer outra categoria (Taimni, 2001).
A palavra Yoga deriva da raiz sânscrita “yuj”, que significa “jungir”, “atar”, “unir”, “reunir”, “religar”, “dirigir e concentrar atenção sobre”, “usar e aplicar”, “união”, “comunhão”. Uma atitude da consciência que permite encarar a vida em todos os seus aspectos com equilíbrio (b.k.s. iyengar 2003).
O ioga é também descrito como a sabedoria na ação ou a arte de viver com harmonia e moderação em meio às atividades. É estar em qualquer lugar, mas presente no que se está fazendo. É um estado constante de auto-observação, integração e união com tudo que o rodeia e consigo mesmo. É sentir-se parte integrante da vida, da natureza, do universo. Na prática do ioga, se insiste em uma boa integração do corpo, emoções, mente e espírito .
Ioga é uma das ciências filosóficas- espirituais mais extraordinárias que a humanidade já descobriu. É como um diamante de grandes proporções, contendo muitas facetas cuja luz pode iluminar a totalidade de nossas vidas com grande significado, sendo uma das poucas tradições que se mantiveram inquebrantáveis através da história, ao longo de milhares de anos. Compreendendo todos os aspectos do homem e da natureza, o ioga pode revelar as mais elevadas potencialidades de ambos.
Os métodos do ioga compreendem a totalidade do campo de nossa existência – físico, sensorial, emocional, mental e espiritual que conduzem à mais elevada auto-realização. Inclui todos os métodos para a evolução humana – posturas físicas, disciplina, ética, controle da respiração, métodos sensoriais, afirmações e visualizações, orações e mantras (sons) e uma ampla disciplina meditativa. Nos ensina a natureza e inter-relação dos universos físico, sutil e causal incluídos no cosmo infinito, além do tempo e do espaço e nos mostra como eles existem dentro de cada ser humano (Taimni, 2001).
A ciência do ioga é resultante dos ensinamentos dos Sábios do Himalaia, tal como foram revelados no início de nossa era atual, Kali Yuga, há 12.000 anos. Sua origem é ainda mais remota porque, como consta no Sanátana Dharma Dípika, estes Sábios revelaram aqueles ensinamentos que estavam "guardados em seus corações". Yoga é a essência da sabedoria de miríades de Sábios através das idades, o avançado legado para impulsionar a evolução humana, adaptado às necessidades de cada era e de cada pessoa.
2.1 O Ioga, suas origens - mito e lenda[1]
A abordagem histórica do Ioga torna-se um desafio, primeiro que os indianos não tinham como registrar precisamente o início de sua história, esta foi sendo repassada oralmente de um para outro yogui. Segundo, que os fatos históricos mesclam-se profundamente com a mitologia indiana, confundindo ainda mais os dados reais. Mas esta particularidade torna a pesquisa sobre a história do Ioga mais especial e mágica .
Sobre a mitologia no Ioga, Sandra Cury[2] diz que o mito pode ser um recurso para trazer a tona uma expressão da realidade, para transmitir a sabedoria dos filósofos, simbolizar os mistérios Divinos, mostrar as potencialidades espirituais, para interpretar a existência, usando a criatividade e a intuição pelo movimento do inconsciente.
Reportando-se as origens do Yoga, o mito fala de uma conversa entre Siva[3] e sua esposa Parvati, irmã de Ganga (Ganges) e filha do Himalaya. Esta conversa aconteceu um dia na praia, quando Siva ensinava a disciplina do Yoga à sua esposa. Parvati acabou adormecendo, enquanto Matsyendranath ouvia tudo por ter se escondido no mar em forma de peixe. Ele então, torna-se Matsyendra, o Rei dos peixes, por aprender os mistérios do Yoga e propaga-los a partir daí. Esta é uma lenda universal, uma das formas mais conhecidas de contar a origem do Yoga .
Assim, as próprias deidades, como Shiva, Krsna, Matsyendra, e outros, são referidas como figuras mitológicas, e como figuras históricas, já que os Deuses da mitologia viveram entre os homens na antiguidade indiana. Não há divisão entre o humano e o Divino, o fato e o mito, o concreto e o abstrato, sendo complementares estas duas formas de explicar a filosofia do ioga: a história dos fatos e a lenda mitológica. Neste contexto, precisamos resgatar a cosmogênese hindú, para compreender o surgimento do ioga.
A cosmogênese hindú é explicada como algo cíclico, de forma que o universo tem períodos de atividade e períodos de dissolução, também chamados respectivamente de dias e noites de Brahma, ou Manvantara e Pralaya .
Cada ciclo mundial é dividido em 4 idades ou Yugas: Krita, Treta, Dvapara e Kali. A Cada Yuga , o Dharma, a lei universal, vai sendo aos poucos esquecida e decaindo de ¼ em ¼, de forma que na primeira Yuga a lei está no clímax, e na última Yuga, a existência acontece com apenas ¼ do Dharma.
A soma das 4 Yugas é a Maha Yuga ou grande Yuga. A soma de 1.000 Maha Yugas corresponde a um dia de Brahma (Kalpa). Depois de um dia de Brahma, segue-se uma noite de Brahma de igual tamanho .
Cada Kalpa subdivide-se em 14 Manvantaras, ou intervalos de Manu, que terminam com dilúvios. Cada qual equivalendo a 71 Maha Yugas e uma fração. O desenvolvimento e o caos de cada Kalpa são marcados por eventos mitológicos que se repetem ciclicamente. O Deus Brahma vive 100 anos (Maha Kalpa), depois o universo é absorvido novamente no Absoluto durante um século de Brahma, então tudo recomeça e entra indeterminadamente novamente no ciclo de 311 trilhões de anos.
No Krita[4] Yuga, o Dharma penetra totalmente no organismo universal, assim, os seres deste período nascem virtuosos e dedicados ao seu dia a dia harmonizado divinamente com o Dharma .
Em Treta Yuga, o modo de vida de cada uma das quatro castas começa a entrar em desordem, os deveres deixam de ser espontâneos e naturais pelo Dharma, precisam ser aprendidos.
Dvapara Yuga é o desafio de equilibrar as dualidades de imperfeição e perfeição, luz e treva. A perfeição da ordem espiritual não está mais à frente de tudo, os seres são cegos pelas paixões e mesquinharias materiais, dissolvendo o estado semidivino da sociedade. Nesta era, a santidade só pode ser alcançada por jejum, devoção e ascetismo e prática religiosa.
Kali[5] Yuga, é conceituada como idade das trevas, existindo com apenas um quarto da lei do Dharma, desenvolvendo a degradação moral e social, e deixando o mundo e o Homem atingirem o que têm de pior.
Kali Yuga = 432.000 anos
Dvapara Yuga = X 2 = 864.000 anos
Treta Yuga = X 3 = 1.296.000 anos
Krita Yuga = X 4 = 1.728.000 anos
Maha Yuga = a soma = 4.320.000 anos
1 dia de Brahma = Maha Yuga X 1000 = 4.320.000.000 anos
1 noite de Brahma = 4.320.000.000
24 h de Brahma = 8.640.000.000
Maha Kalpa = 100 anos de Brahma = 360 X 8.640.000.000 X 100 = 311.040.000.000.000
E assim, configura-se uma explicação para a organização da vida do universo voltada ao desenvolvimento espiritual classificado em quatro diferentes vivências.
Há ainda, segundo Caio Miranda[6], o ioga é oriundo de Atlântida, misterioso continente submerso, e que mais tarde, na Grécia foi pesquisado e descoberto por Platão. A teoria de evolução humana apresentada pelo autor apresenta que já existiram 5 raças raízes: a primeira Adâmica, e a segunda Hiperbórica: foram constituídas de seres sem corpo físico. A terceira, chamada Lemuriana desenvolveu o corpo físico do homem, a quarta e já citada, a Atlante, constituiu o corpo astral, o veículo emocional do homem, cumprindo a missão de desenvolver a sensibilidade. Essa civilização acabou sob convulsão tectônica.
Mas para dar continuidade à evolução do ser, antes da destruição de Atlântida, sete Manus[7] emigraram do continente para os rincões mais afastados (regiões ocupadas hoje pelo México, Peru, Egito, Índia, China, Cáucaso, e Escandinávia). Os Manus tinham o conhecimento completo da cultura e ciência Atlante, no entanto, cada qual era especialista em uma área.
O Manu Vaisvavata foi para Aryavartta, antiga Índia e levou a ciência do Yoga, transmitindo-o para o povo da região ainda em desenvolvimento do veículo mental. Quando aquela humanidade apresentou compreensão mental necessária, firmaram-se as bases intelectivas aos conhecimentos metafísicos e científicos do Yoga.
Na continuidade, Osíris foi para o Egito, levando a astronomia mágica, que se transformou em ciência exata. Manco-Capac, foi para a atual região do Peru com os conhecimentos de engenharia. Quetzal-Coatl emigrou para a região do México com a ciência do poder vibratório do som, que originou um sistema telegráfico por pirâmides sonoras. Caucasiano Joefal transmitiu a sabedoria da medicina mágica, herdada pelos árabes. Já o Manu que se dirigiu para a China levou o conhecimento do alfabeto Atlante aos seus habitantes. E aos escandinavos foi levado o conhecimento náutico, herdado pelos Vikings .
Assim, a Índia foi o berço do Yoga, no que se refere à quinta raça raiz, que é a nossa atual raça, a Civilização Ariana, que desenvolve o corpo mental do ser. As próximas raças raízes terão a missão de desenvolver as capacidades mais sutis do ser humano. Dotado da capacidade mental (civilização Ariana), o homem pode sistematizar e registrar as revelações espirituais em alguns textos considerados sagrados que abordam o conhecimento da tradição do Yoga .
No entanto, contextualizar as datas da história da Índia, e do Yoga é complicado também devido aos paradoxos das pesquisas em arqueologia e da própria história indiana. E estes paradoxos, questionam qual civilização materializou, registrou as revelações espirituais contidas no Vedas: os Dravidianos, ou a civilização Indo-Sarasvatti?.
Segundo as teorias de Max Miller (estudioso do Hinduísmo e tradutor de textos védicos do sânscrito para o alemão) sobre os primórdios das civilizações indianas, foram descobertas escavações do Vale do Hindu, nas quais consta que o Yoga já era praticado de alguma forma naquele período (no mínimo 5.000 anos antes de Cristo).
2.2 História
Em algum momento da história essa arte ganhou o nome de integridade, integração, união, em sânscrito, Yoga. Seu fundador ingressou na mitologia como Siva, intitulado Natarája, o rei dos bailarinos. Tudo isso, há mais de 5.000 anos antes de Cristo, a noroeste da Índia, no Vale do Indo, que era habitado pelo povo Drávida.
Sua civilização, uma das mais avançadas da antiguidade, ficou perdida e soterrada durante milhares de anos, até que os arqueólogos do final do século XIX encontraram evidências de sua existência. Ficaram impressionados com o que encontraram: cidades de urbanismo planejado: largas avenidas, ruas de pedestres, casas de dois andares, instalações sanitárias, água corrente, iluminação nas ruas, esgotos cobertos, carrinhos de brinquedo com rodas, celeiros com sistema de ventilação e plataforma elevada para facilitar a carga e descarga das carroças. Tudo isso, há 3 mil anos antes de Cristo.
Cerca de 1.500 anos antes de Cristo a Civilização do Vale do Indo foi invadida, segundo Max Miller, por um povo nômade e bárbaro que falava um idioma do grupo indo-europeu: os Arianos. Consta que estes subjugaram o povo Drávida e sua cultura, destruíram sua civilização, exterminaram quase todos os vencidos e escravizaram os poucos sobreviventes. Outros fugiram, migrando para o extremo sul da Índia e Sri Lanka, onde vivem seus descendentes até hoje, constituindo a etnia Tamil .
Esse embate entre as culturas da Vale do Indo e dos Arianos foi aceita por muito tempo. Entretanto, atualmente as pesquisas sobre a história da Civilização indiana já apontam um outro ponto de referência.
Para Feuerstein (1998) o “modelo da invasão ariana” defendido especialmente pelo famoso orientalista alemão Max Muller, adquiriu em pouco tempo o status de um dogma popular que permanece forte hoje, pois não há ainda a difusão das mais recentes pesquisas que comprovam que a invasão da Índia pelos arianos nunca aconteceu, pois este povo já estava lá estabelecido.
As novas descobertas comprovam que os Arianos Védicos falavam uma língua da família indo-européia. Os estudiosos, segundo Feuerstein, não chegaram a um acordo acerca de onde vivia esse povo, cujo país é situado, em geral, em algum lugar da Ásia Central ou Europa Oriental. De qualquer modo, considera-se muito provável que já houvesse comunidades de proto-indo-europeus estabelecidas na Eurásia por volta de 4.500 anos antes de Cristo ou ainda antes. Isso é sugerido pelos indícios arqueológicos e pelo Rig-Veda (texto antigo da tradição do Yoga). A geografia, o clima, a flora e a fauna descritas no Rig-Veda possuem as mesmas características encontradas no noroeste da índia atual.
Assim, os arqueólogos hoje acreditam que a antiga cidade de Harapa[8] não foi invadida ou destruída, mas sim, abandonada por mudanças climáticas após 1.900 anos antes de Cristo: o esgotamento do rio Sarasvati fez com que numerosas cidades e povoados fossem abandonados com o deslocamento da civilização védica para o rio Ganges, não existindo nada nos Vedas que contradiga essa suposição. Isso também significa que o Rig-Veda tenha sido composto antes do esgotamento do Sarasvati. Não há evidencias de incêndios, ataques ou destruição violenta da cidade.
A partir daí é que surge os Aranyakas e Upanisads[9] , a literatura da tradição Aranya (da floresta), uma vez que às margens do Ganges contam vastas florestas (FEUERSTEIN, 1998).
Para Feuerstein (1998), eliminando o preconceito da invasão Ariana, torna-se simples entender que a tradição oral e escrita dos Vedas encaixa com os indícios arqueológicos, dissolvendo assim, o mistério da existência das grandes cidades. Essas novas descobertas revolucionam a nossa compreensão da história do Yoga. Os Hinos do Rig-Veda, por exemplo, apontam para uma civilização multiracial quando contam batalhas, mas tais batalhas não são entre povos Arianos e Autóctones, são batalhas entre povos da mesma cultura. Porém, a teoria da invasão Ariana argumenta a supremacia da raça branca Ariana sobre os Dravidianos de pele mais escura, uma especulação que não analisa a causa da pele mais escura de um dos povos ser pela exposição ao sol em regiões tropicais.
Tinoco (Acharya Kaliama)[10], seguindo as recentes teorias do já citado Feuerstein, e de David Frauley e Suthbhsh Kakkos, argumenta que os Arianos e os Dravidianos são membros do mesmo ramo mediterrâneo da raça caucasiana, não sendo raças distintas. Então, pode-se dizer que as cidades do Vale do Indo eram formadas por diferentes grupos étnicos, sendo que ao que tudo indica, a morada original dos Arianos sempre foi a Índia, desde os tempos da civilização do Vale do Indo (TINOCO, 1996).
O autor ainda se refere a vestígios de um proto-Yoga nas cidades do Indo, bem como, noções proto-yogues nos Vedas e nos artefatos do Indo-Sarasvati .
“A civilização védica do Indo-Sarasvati não é somente a mais antiga, do planeta, é também a maior civilização da alta antiguidade, muito maior do que a Suméria, a Assíria, e o Egito Juntos”.
Segundo o autor, há uma série de questionamentos à teoria da invasão Ariana:Os descendentes dos supostos invasores arianos, os hindus, não têm memória sobre essa invasão, não havendo registro desta invasão nos Vedas e nem nos textos do Jainismo e do Budismo. Além disso, há uma continuidade cultural no que se refere aos artefatos arqueológicos descobertos nas cidades do Indo e a seqüente sociedade do Hinduísmo.Diferente da idéia da invasão Ariana, pesquisas recentes revelam que cavalos eram conhecidos na Índia antes mesmo das cidades do Vale do Indo.
Se a invasão Ariana aconteceu cerca de 1.200 e 1.500 antes de Cristo, os hinos do Rig-Veda não poderiam ter registros de posições estrelares de 3.000 antes de Cristo.Em sítios arqueológicos de Harapa foram encontrados altares do sacrifício do fogo utilizados por Arianos Védicos. A continuidade alfabética também mostra a continuidade cultural entre a civilização do Vale do Indo e o Hinduísmo posterior, uma vez que há uma ligação entre a escrita harapeana e a posterior escrita Brahmi que dá origem ao Devanagari que pode ser transliterado para o sânscrito (ACHARYA KALIAMA, 2003).
Então, para as pesquisas recentes, a invasão Ariana nunca existiu pois os Arianos sempre foram indianos e habitantes do Vale do Indo (como os Dravidianos), sendo o Yoga um fruto da civilização Indo-Sarasvatti (ACHARYA KALIAMA, 2003).
Entretanto, para estudiosos como Eliade e Max Miller que acreditam na invasão Ariana, o Yoga seria proveniente de uma religião proto-histórica dos Dravidianos do Vale do Indo, hoje extinta, e que sofrera a oposição inicial dos invasores, mas sendo integrada mais tarde com o pensamento Ariano após a suposta invasão (TINOCO, 1996).
Mesmo com esta divergência de opiniões sobre os fatos da Índia pré-histórica, os textos sagrados, os Vedas, de fato existem, registram a tradição do Yoga e são interpretados por seis pontos de vista, seis correntes filosóficas ortodoxas do pensamento indiano, os chamados Darsanas. Um dos Darsanas é o Yoga Clássico de Patañjali (TINOCO, 1996).
Feuerstein coloca que no transitar da história, o Yoga das Upanisads[11] desencadeou uma diversidade de práticas, uma vez que na sua tradição, o Yoga foi transmitido de mestre a discípulo, o que abriu a possibilidade de modificação, adaptação, de forma que coisas novas fossem acrescentadas ou descartadas (FEUERSTEIN, 1998).
E assim, surgem reformas, tradições diferentes, interpretações, metodologias e concepções diferentes, entretanto, todos os sistemas como meio para alcançar a Realidade Transcendente, A Transcendência da Consciência Egoica, a libertação. Cada metodologia ensina um caminho diferente para realizar a pesquisa da alma que vai de encontro à união com a Fonte Criadora, com a Realidade Suprema, com a Felicidade Eterna, com Brahman[12] (FEUERSTEIN, 1998) .
Por ser o Yoga caracterizado por uma prática de introspecção disciplinada, com concentração meditativa associada a rituais de sacrifício, exigia dos sacerdotes védicos perfeita exatidão, concentração e disciplina mental rigorosa, sendo essa necessidade uma das raízes do Yoga posterior, que originou cerca de 2.000 anos mais tarde a tecnologia da consciência que caracteriza as Upanisads (FEUERSTEIN, 1998).
Então, paralelo ao Yoga Clássico de Patañjali, surgem outros sete caminhos que constituem os oito ramos clássicos do Yoga vinculados ao Hiduísmo: o Raja Yoga (Patañjali), Tantra Yoga, Hatha Yoga, Jñana Yoga, Bhakti Yoga, Karma Yoga, Mantra Yoga, o Laya Yoga e o Kundalini Yoga. Sri Aurubindo desenvolve mais tarde o Purna Yoga (FEUERSTEIN, 1998).
O ioga também se aplica ao Budismo e ao Jainismo, filosofias indianas heterodoxas (Taimni, 2001).
O autor classifica toda essa diversidade de aplicabilidades do Yoga e sistematizações de caminhos em YOGA, seja ligado ao hinduísmo ou fora dele, em quatro períodos: Pré-Clássico, Clássico, Pós-Clássico e na Idade Média (FEUERSTEIN, 1998).
2.3 Yoga e o Ocidente
Atualmente, no ocidente, ioga é uma palavra comum. Aulas de ioga podem ser encontradas em quase todas as cidades. Pesquisas científicas estão sendo realizadas em várias universidades de todo o mundo demonstrando os benefícios dos diversos componentes do ioga para a saúde física e psíquica. Empresas buscam as práticas de ioga para treinamento de seus executivos e funcionários, como terapia anti stress e aumento da criatividade. Muitas pessoas identificam ioga com posturas físicas ou Ásanas, que é o lado mais evidente do sistema. Os ioga-ásanas podem representar uma eficiente porta de entrada para o vasto templo do ioga, mas existem outros elementos que nos levam ao seu altar central, tais como os mantras e a meditação (YESUDIAN, 1972).
Por todos estes motivos tem havido uma procura crescente pelo Yoga, na busca a princípio, pelos ásanas (posturas) e conseqüentemente encontram orientações desde exercícios de posturas (ásanas), passando por alimentação (conhecimento de nova maneira de alimentar o corpo físico), técnicas de meditação (alimentação do corpo ‘espiritual”), até um melhor entendimento da profunda filosofia védica, de seus métodos de ação, devoção e conhecimento externo e do autoconhecimento (Paramahansa Yogananda – Autobiografia de um Yogue), (YESUDIAN, 1972).
Foram criados cursos de formação de professores de Yoga de diferentes níveis de qualidade, dando ênfase a diferentes aspectos do Yoga, alguns com conotação bastante comercial e de envaidecimento de seus fundadores e dirigentes, o que não faz parte da essência do IOGA e que hora tratamos como tema HATHA YOGA. -. Associações de professores foram criadas em várias partes do mundo e, agora no Brasil, procura-se o reconhecimento oficial da profissão (YESUDIAN, 1972).
2.4 Prática do ioga beneficia atletas em geral.
Quem pratica esportes radicais, como surfe, skate, corrida, raffting e rappel, sabe o quanto é importante ter e – melhorar sempre - a capacidade respiratória para ter um bom desempenho na prática esportiva. O ioga, além de ajudar a reduzir o estresse a níveis saudáveis, ensina seus praticantes a respirar melhor através de mais de 58 modalidades de exercícios respiratórios. A prática da filosofia também proporciona flexibilidade e fortalecimento psicológico e muscular, assim como auxilia no aumento da concentração e ajuda a relaxar os músculos, os nervos, e as glândulas endócrinas (YESUDIAN, 1972).
2.5 Regulamentação da profissão e do profissional de Yoga
O crescente interesse pela prática do ioga tem despertado a curiosidade de pessoas no Brasil e no mundo inteiro. Apenas para se ter uma idéia, segundo estatísticas da União Nacional de ioga já são mais de 50 mil praticantes cadastrados nas Federações (LUCY, 1987).
[1] O sânscrito é a transliteração do DEVANAGARI, linguagem para revelações espirituais. Esclarecemos aos leitores que as palavras em sânscrito estarão apontadas conforme a transliteração científica universal, em letras maiúsculas e sem os acentos específicos que indicam a posição do aparelho fonador para a pronúncia correta dos sons. O alfabeto sânscrito é composto com sinais de prolongamento, nasalisação (ANUSVARA), aspiração (VISARGA), sons guturais, palatais, cerebrais, dentais, labiais, surdos e sonoros. Portanto, nem sempre a forma de escrita será a maneira de pronúncia.
[2] Artigo “Mitologia no ASANA: Mito e Símbolo”, publicado nos Anais do I Congresso Sul Brasileiro de Yoga, realizado pela AYPAR em maio de 2003.
[3] SIVA pronuncia-se SHIVA e KRSNA, KRISHNA. Na trindade hindu, BRAHMA é o Deus da criação, VISNU da manutenção e SIVA da transformação. KRSNA é uma encarnação de VISNU.
[4] Significa feito, realizado, perfeito.
[5] Traduz-se por de todas as coisas, guerra, desavença.
[6] Livro “Hatha: o abc do Yoga”.
[7] Manu seria um ser humano do primeiro grupo de Homo Sapiens Sapiens ao final do período neolítico.
[8] Cidade dravidiana milenar do Vale do Indo.
[9] Pronuncia-se Upanishads.
[10] Livro “Yoga: Repensando a Tradição”.
[11] Textos que representam a essência dos Vedas.
[12] Brahman é o Absoluto despersonificado, enquanto BRAHMA é o Deus personificado da trindade hindú. (... continua...)
A palavra Yoga deriva da raiz sânscrita “yuj”, que significa “jungir”, “atar”, “unir”, “reunir”, “religar”, “dirigir e concentrar atenção sobre”, “usar e aplicar”, “união”, “comunhão”. Uma atitude da consciência que permite encarar a vida em todos os seus aspectos com equilíbrio (b.k.s. iyengar 2003).
O ioga é também descrito como a sabedoria na ação ou a arte de viver com harmonia e moderação em meio às atividades. É estar em qualquer lugar, mas presente no que se está fazendo. É um estado constante de auto-observação, integração e união com tudo que o rodeia e consigo mesmo. É sentir-se parte integrante da vida, da natureza, do universo. Na prática do ioga, se insiste em uma boa integração do corpo, emoções, mente e espírito .
Ioga é uma das ciências filosóficas- espirituais mais extraordinárias que a humanidade já descobriu. É como um diamante de grandes proporções, contendo muitas facetas cuja luz pode iluminar a totalidade de nossas vidas com grande significado, sendo uma das poucas tradições que se mantiveram inquebrantáveis através da história, ao longo de milhares de anos. Compreendendo todos os aspectos do homem e da natureza, o ioga pode revelar as mais elevadas potencialidades de ambos.
Os métodos do ioga compreendem a totalidade do campo de nossa existência – físico, sensorial, emocional, mental e espiritual que conduzem à mais elevada auto-realização. Inclui todos os métodos para a evolução humana – posturas físicas, disciplina, ética, controle da respiração, métodos sensoriais, afirmações e visualizações, orações e mantras (sons) e uma ampla disciplina meditativa. Nos ensina a natureza e inter-relação dos universos físico, sutil e causal incluídos no cosmo infinito, além do tempo e do espaço e nos mostra como eles existem dentro de cada ser humano (Taimni, 2001).
A ciência do ioga é resultante dos ensinamentos dos Sábios do Himalaia, tal como foram revelados no início de nossa era atual, Kali Yuga, há 12.000 anos. Sua origem é ainda mais remota porque, como consta no Sanátana Dharma Dípika, estes Sábios revelaram aqueles ensinamentos que estavam "guardados em seus corações". Yoga é a essência da sabedoria de miríades de Sábios através das idades, o avançado legado para impulsionar a evolução humana, adaptado às necessidades de cada era e de cada pessoa.
2.1 O Ioga, suas origens - mito e lenda[1]
A abordagem histórica do Ioga torna-se um desafio, primeiro que os indianos não tinham como registrar precisamente o início de sua história, esta foi sendo repassada oralmente de um para outro yogui. Segundo, que os fatos históricos mesclam-se profundamente com a mitologia indiana, confundindo ainda mais os dados reais. Mas esta particularidade torna a pesquisa sobre a história do Ioga mais especial e mágica .
Sobre a mitologia no Ioga, Sandra Cury[2] diz que o mito pode ser um recurso para trazer a tona uma expressão da realidade, para transmitir a sabedoria dos filósofos, simbolizar os mistérios Divinos, mostrar as potencialidades espirituais, para interpretar a existência, usando a criatividade e a intuição pelo movimento do inconsciente.
Reportando-se as origens do Yoga, o mito fala de uma conversa entre Siva[3] e sua esposa Parvati, irmã de Ganga (Ganges) e filha do Himalaya. Esta conversa aconteceu um dia na praia, quando Siva ensinava a disciplina do Yoga à sua esposa. Parvati acabou adormecendo, enquanto Matsyendranath ouvia tudo por ter se escondido no mar em forma de peixe. Ele então, torna-se Matsyendra, o Rei dos peixes, por aprender os mistérios do Yoga e propaga-los a partir daí. Esta é uma lenda universal, uma das formas mais conhecidas de contar a origem do Yoga .
Assim, as próprias deidades, como Shiva, Krsna, Matsyendra, e outros, são referidas como figuras mitológicas, e como figuras históricas, já que os Deuses da mitologia viveram entre os homens na antiguidade indiana. Não há divisão entre o humano e o Divino, o fato e o mito, o concreto e o abstrato, sendo complementares estas duas formas de explicar a filosofia do ioga: a história dos fatos e a lenda mitológica. Neste contexto, precisamos resgatar a cosmogênese hindú, para compreender o surgimento do ioga.
A cosmogênese hindú é explicada como algo cíclico, de forma que o universo tem períodos de atividade e períodos de dissolução, também chamados respectivamente de dias e noites de Brahma, ou Manvantara e Pralaya .
Cada ciclo mundial é dividido em 4 idades ou Yugas: Krita, Treta, Dvapara e Kali. A Cada Yuga , o Dharma, a lei universal, vai sendo aos poucos esquecida e decaindo de ¼ em ¼, de forma que na primeira Yuga a lei está no clímax, e na última Yuga, a existência acontece com apenas ¼ do Dharma.
A soma das 4 Yugas é a Maha Yuga ou grande Yuga. A soma de 1.000 Maha Yugas corresponde a um dia de Brahma (Kalpa). Depois de um dia de Brahma, segue-se uma noite de Brahma de igual tamanho .
Cada Kalpa subdivide-se em 14 Manvantaras, ou intervalos de Manu, que terminam com dilúvios. Cada qual equivalendo a 71 Maha Yugas e uma fração. O desenvolvimento e o caos de cada Kalpa são marcados por eventos mitológicos que se repetem ciclicamente. O Deus Brahma vive 100 anos (Maha Kalpa), depois o universo é absorvido novamente no Absoluto durante um século de Brahma, então tudo recomeça e entra indeterminadamente novamente no ciclo de 311 trilhões de anos.
No Krita[4] Yuga, o Dharma penetra totalmente no organismo universal, assim, os seres deste período nascem virtuosos e dedicados ao seu dia a dia harmonizado divinamente com o Dharma .
Em Treta Yuga, o modo de vida de cada uma das quatro castas começa a entrar em desordem, os deveres deixam de ser espontâneos e naturais pelo Dharma, precisam ser aprendidos.
Dvapara Yuga é o desafio de equilibrar as dualidades de imperfeição e perfeição, luz e treva. A perfeição da ordem espiritual não está mais à frente de tudo, os seres são cegos pelas paixões e mesquinharias materiais, dissolvendo o estado semidivino da sociedade. Nesta era, a santidade só pode ser alcançada por jejum, devoção e ascetismo e prática religiosa.
Kali[5] Yuga, é conceituada como idade das trevas, existindo com apenas um quarto da lei do Dharma, desenvolvendo a degradação moral e social, e deixando o mundo e o Homem atingirem o que têm de pior.
Kali Yuga = 432.000 anos
Dvapara Yuga = X 2 = 864.000 anos
Treta Yuga = X 3 = 1.296.000 anos
Krita Yuga = X 4 = 1.728.000 anos
Maha Yuga = a soma = 4.320.000 anos
1 dia de Brahma = Maha Yuga X 1000 = 4.320.000.000 anos
1 noite de Brahma = 4.320.000.000
24 h de Brahma = 8.640.000.000
Maha Kalpa = 100 anos de Brahma = 360 X 8.640.000.000 X 100 = 311.040.000.000.000
E assim, configura-se uma explicação para a organização da vida do universo voltada ao desenvolvimento espiritual classificado em quatro diferentes vivências.
Há ainda, segundo Caio Miranda[6], o ioga é oriundo de Atlântida, misterioso continente submerso, e que mais tarde, na Grécia foi pesquisado e descoberto por Platão. A teoria de evolução humana apresentada pelo autor apresenta que já existiram 5 raças raízes: a primeira Adâmica, e a segunda Hiperbórica: foram constituídas de seres sem corpo físico. A terceira, chamada Lemuriana desenvolveu o corpo físico do homem, a quarta e já citada, a Atlante, constituiu o corpo astral, o veículo emocional do homem, cumprindo a missão de desenvolver a sensibilidade. Essa civilização acabou sob convulsão tectônica.
Mas para dar continuidade à evolução do ser, antes da destruição de Atlântida, sete Manus[7] emigraram do continente para os rincões mais afastados (regiões ocupadas hoje pelo México, Peru, Egito, Índia, China, Cáucaso, e Escandinávia). Os Manus tinham o conhecimento completo da cultura e ciência Atlante, no entanto, cada qual era especialista em uma área.
O Manu Vaisvavata foi para Aryavartta, antiga Índia e levou a ciência do Yoga, transmitindo-o para o povo da região ainda em desenvolvimento do veículo mental. Quando aquela humanidade apresentou compreensão mental necessária, firmaram-se as bases intelectivas aos conhecimentos metafísicos e científicos do Yoga.
Na continuidade, Osíris foi para o Egito, levando a astronomia mágica, que se transformou em ciência exata. Manco-Capac, foi para a atual região do Peru com os conhecimentos de engenharia. Quetzal-Coatl emigrou para a região do México com a ciência do poder vibratório do som, que originou um sistema telegráfico por pirâmides sonoras. Caucasiano Joefal transmitiu a sabedoria da medicina mágica, herdada pelos árabes. Já o Manu que se dirigiu para a China levou o conhecimento do alfabeto Atlante aos seus habitantes. E aos escandinavos foi levado o conhecimento náutico, herdado pelos Vikings .
Assim, a Índia foi o berço do Yoga, no que se refere à quinta raça raiz, que é a nossa atual raça, a Civilização Ariana, que desenvolve o corpo mental do ser. As próximas raças raízes terão a missão de desenvolver as capacidades mais sutis do ser humano. Dotado da capacidade mental (civilização Ariana), o homem pode sistematizar e registrar as revelações espirituais em alguns textos considerados sagrados que abordam o conhecimento da tradição do Yoga .
No entanto, contextualizar as datas da história da Índia, e do Yoga é complicado também devido aos paradoxos das pesquisas em arqueologia e da própria história indiana. E estes paradoxos, questionam qual civilização materializou, registrou as revelações espirituais contidas no Vedas: os Dravidianos, ou a civilização Indo-Sarasvatti?.
Segundo as teorias de Max Miller (estudioso do Hinduísmo e tradutor de textos védicos do sânscrito para o alemão) sobre os primórdios das civilizações indianas, foram descobertas escavações do Vale do Hindu, nas quais consta que o Yoga já era praticado de alguma forma naquele período (no mínimo 5.000 anos antes de Cristo).
2.2 História
Em algum momento da história essa arte ganhou o nome de integridade, integração, união, em sânscrito, Yoga. Seu fundador ingressou na mitologia como Siva, intitulado Natarája, o rei dos bailarinos. Tudo isso, há mais de 5.000 anos antes de Cristo, a noroeste da Índia, no Vale do Indo, que era habitado pelo povo Drávida.
Sua civilização, uma das mais avançadas da antiguidade, ficou perdida e soterrada durante milhares de anos, até que os arqueólogos do final do século XIX encontraram evidências de sua existência. Ficaram impressionados com o que encontraram: cidades de urbanismo planejado: largas avenidas, ruas de pedestres, casas de dois andares, instalações sanitárias, água corrente, iluminação nas ruas, esgotos cobertos, carrinhos de brinquedo com rodas, celeiros com sistema de ventilação e plataforma elevada para facilitar a carga e descarga das carroças. Tudo isso, há 3 mil anos antes de Cristo.
Cerca de 1.500 anos antes de Cristo a Civilização do Vale do Indo foi invadida, segundo Max Miller, por um povo nômade e bárbaro que falava um idioma do grupo indo-europeu: os Arianos. Consta que estes subjugaram o povo Drávida e sua cultura, destruíram sua civilização, exterminaram quase todos os vencidos e escravizaram os poucos sobreviventes. Outros fugiram, migrando para o extremo sul da Índia e Sri Lanka, onde vivem seus descendentes até hoje, constituindo a etnia Tamil .
Esse embate entre as culturas da Vale do Indo e dos Arianos foi aceita por muito tempo. Entretanto, atualmente as pesquisas sobre a história da Civilização indiana já apontam um outro ponto de referência.
Para Feuerstein (1998) o “modelo da invasão ariana” defendido especialmente pelo famoso orientalista alemão Max Muller, adquiriu em pouco tempo o status de um dogma popular que permanece forte hoje, pois não há ainda a difusão das mais recentes pesquisas que comprovam que a invasão da Índia pelos arianos nunca aconteceu, pois este povo já estava lá estabelecido.
As novas descobertas comprovam que os Arianos Védicos falavam uma língua da família indo-européia. Os estudiosos, segundo Feuerstein, não chegaram a um acordo acerca de onde vivia esse povo, cujo país é situado, em geral, em algum lugar da Ásia Central ou Europa Oriental. De qualquer modo, considera-se muito provável que já houvesse comunidades de proto-indo-europeus estabelecidas na Eurásia por volta de 4.500 anos antes de Cristo ou ainda antes. Isso é sugerido pelos indícios arqueológicos e pelo Rig-Veda (texto antigo da tradição do Yoga). A geografia, o clima, a flora e a fauna descritas no Rig-Veda possuem as mesmas características encontradas no noroeste da índia atual.
Assim, os arqueólogos hoje acreditam que a antiga cidade de Harapa[8] não foi invadida ou destruída, mas sim, abandonada por mudanças climáticas após 1.900 anos antes de Cristo: o esgotamento do rio Sarasvati fez com que numerosas cidades e povoados fossem abandonados com o deslocamento da civilização védica para o rio Ganges, não existindo nada nos Vedas que contradiga essa suposição. Isso também significa que o Rig-Veda tenha sido composto antes do esgotamento do Sarasvati. Não há evidencias de incêndios, ataques ou destruição violenta da cidade.
A partir daí é que surge os Aranyakas e Upanisads[9] , a literatura da tradição Aranya (da floresta), uma vez que às margens do Ganges contam vastas florestas (FEUERSTEIN, 1998).
Para Feuerstein (1998), eliminando o preconceito da invasão Ariana, torna-se simples entender que a tradição oral e escrita dos Vedas encaixa com os indícios arqueológicos, dissolvendo assim, o mistério da existência das grandes cidades. Essas novas descobertas revolucionam a nossa compreensão da história do Yoga. Os Hinos do Rig-Veda, por exemplo, apontam para uma civilização multiracial quando contam batalhas, mas tais batalhas não são entre povos Arianos e Autóctones, são batalhas entre povos da mesma cultura. Porém, a teoria da invasão Ariana argumenta a supremacia da raça branca Ariana sobre os Dravidianos de pele mais escura, uma especulação que não analisa a causa da pele mais escura de um dos povos ser pela exposição ao sol em regiões tropicais.
Tinoco (Acharya Kaliama)[10], seguindo as recentes teorias do já citado Feuerstein, e de David Frauley e Suthbhsh Kakkos, argumenta que os Arianos e os Dravidianos são membros do mesmo ramo mediterrâneo da raça caucasiana, não sendo raças distintas. Então, pode-se dizer que as cidades do Vale do Indo eram formadas por diferentes grupos étnicos, sendo que ao que tudo indica, a morada original dos Arianos sempre foi a Índia, desde os tempos da civilização do Vale do Indo (TINOCO, 1996).
O autor ainda se refere a vestígios de um proto-Yoga nas cidades do Indo, bem como, noções proto-yogues nos Vedas e nos artefatos do Indo-Sarasvati .
“A civilização védica do Indo-Sarasvati não é somente a mais antiga, do planeta, é também a maior civilização da alta antiguidade, muito maior do que a Suméria, a Assíria, e o Egito Juntos”.
Segundo o autor, há uma série de questionamentos à teoria da invasão Ariana:Os descendentes dos supostos invasores arianos, os hindus, não têm memória sobre essa invasão, não havendo registro desta invasão nos Vedas e nem nos textos do Jainismo e do Budismo. Além disso, há uma continuidade cultural no que se refere aos artefatos arqueológicos descobertos nas cidades do Indo e a seqüente sociedade do Hinduísmo.Diferente da idéia da invasão Ariana, pesquisas recentes revelam que cavalos eram conhecidos na Índia antes mesmo das cidades do Vale do Indo.
Se a invasão Ariana aconteceu cerca de 1.200 e 1.500 antes de Cristo, os hinos do Rig-Veda não poderiam ter registros de posições estrelares de 3.000 antes de Cristo.Em sítios arqueológicos de Harapa foram encontrados altares do sacrifício do fogo utilizados por Arianos Védicos. A continuidade alfabética também mostra a continuidade cultural entre a civilização do Vale do Indo e o Hinduísmo posterior, uma vez que há uma ligação entre a escrita harapeana e a posterior escrita Brahmi que dá origem ao Devanagari que pode ser transliterado para o sânscrito (ACHARYA KALIAMA, 2003).
Então, para as pesquisas recentes, a invasão Ariana nunca existiu pois os Arianos sempre foram indianos e habitantes do Vale do Indo (como os Dravidianos), sendo o Yoga um fruto da civilização Indo-Sarasvatti (ACHARYA KALIAMA, 2003).
Entretanto, para estudiosos como Eliade e Max Miller que acreditam na invasão Ariana, o Yoga seria proveniente de uma religião proto-histórica dos Dravidianos do Vale do Indo, hoje extinta, e que sofrera a oposição inicial dos invasores, mas sendo integrada mais tarde com o pensamento Ariano após a suposta invasão (TINOCO, 1996).
Mesmo com esta divergência de opiniões sobre os fatos da Índia pré-histórica, os textos sagrados, os Vedas, de fato existem, registram a tradição do Yoga e são interpretados por seis pontos de vista, seis correntes filosóficas ortodoxas do pensamento indiano, os chamados Darsanas. Um dos Darsanas é o Yoga Clássico de Patañjali (TINOCO, 1996).
Feuerstein coloca que no transitar da história, o Yoga das Upanisads[11] desencadeou uma diversidade de práticas, uma vez que na sua tradição, o Yoga foi transmitido de mestre a discípulo, o que abriu a possibilidade de modificação, adaptação, de forma que coisas novas fossem acrescentadas ou descartadas (FEUERSTEIN, 1998).
E assim, surgem reformas, tradições diferentes, interpretações, metodologias e concepções diferentes, entretanto, todos os sistemas como meio para alcançar a Realidade Transcendente, A Transcendência da Consciência Egoica, a libertação. Cada metodologia ensina um caminho diferente para realizar a pesquisa da alma que vai de encontro à união com a Fonte Criadora, com a Realidade Suprema, com a Felicidade Eterna, com Brahman[12] (FEUERSTEIN, 1998) .
Por ser o Yoga caracterizado por uma prática de introspecção disciplinada, com concentração meditativa associada a rituais de sacrifício, exigia dos sacerdotes védicos perfeita exatidão, concentração e disciplina mental rigorosa, sendo essa necessidade uma das raízes do Yoga posterior, que originou cerca de 2.000 anos mais tarde a tecnologia da consciência que caracteriza as Upanisads (FEUERSTEIN, 1998).
Então, paralelo ao Yoga Clássico de Patañjali, surgem outros sete caminhos que constituem os oito ramos clássicos do Yoga vinculados ao Hiduísmo: o Raja Yoga (Patañjali), Tantra Yoga, Hatha Yoga, Jñana Yoga, Bhakti Yoga, Karma Yoga, Mantra Yoga, o Laya Yoga e o Kundalini Yoga. Sri Aurubindo desenvolve mais tarde o Purna Yoga (FEUERSTEIN, 1998).
O ioga também se aplica ao Budismo e ao Jainismo, filosofias indianas heterodoxas (Taimni, 2001).
O autor classifica toda essa diversidade de aplicabilidades do Yoga e sistematizações de caminhos em YOGA, seja ligado ao hinduísmo ou fora dele, em quatro períodos: Pré-Clássico, Clássico, Pós-Clássico e na Idade Média (FEUERSTEIN, 1998).
2.3 Yoga e o Ocidente
Atualmente, no ocidente, ioga é uma palavra comum. Aulas de ioga podem ser encontradas em quase todas as cidades. Pesquisas científicas estão sendo realizadas em várias universidades de todo o mundo demonstrando os benefícios dos diversos componentes do ioga para a saúde física e psíquica. Empresas buscam as práticas de ioga para treinamento de seus executivos e funcionários, como terapia anti stress e aumento da criatividade. Muitas pessoas identificam ioga com posturas físicas ou Ásanas, que é o lado mais evidente do sistema. Os ioga-ásanas podem representar uma eficiente porta de entrada para o vasto templo do ioga, mas existem outros elementos que nos levam ao seu altar central, tais como os mantras e a meditação (YESUDIAN, 1972).
Por todos estes motivos tem havido uma procura crescente pelo Yoga, na busca a princípio, pelos ásanas (posturas) e conseqüentemente encontram orientações desde exercícios de posturas (ásanas), passando por alimentação (conhecimento de nova maneira de alimentar o corpo físico), técnicas de meditação (alimentação do corpo ‘espiritual”), até um melhor entendimento da profunda filosofia védica, de seus métodos de ação, devoção e conhecimento externo e do autoconhecimento (Paramahansa Yogananda – Autobiografia de um Yogue), (YESUDIAN, 1972).
Foram criados cursos de formação de professores de Yoga de diferentes níveis de qualidade, dando ênfase a diferentes aspectos do Yoga, alguns com conotação bastante comercial e de envaidecimento de seus fundadores e dirigentes, o que não faz parte da essência do IOGA e que hora tratamos como tema HATHA YOGA. -. Associações de professores foram criadas em várias partes do mundo e, agora no Brasil, procura-se o reconhecimento oficial da profissão (YESUDIAN, 1972).
2.4 Prática do ioga beneficia atletas em geral.
Quem pratica esportes radicais, como surfe, skate, corrida, raffting e rappel, sabe o quanto é importante ter e – melhorar sempre - a capacidade respiratória para ter um bom desempenho na prática esportiva. O ioga, além de ajudar a reduzir o estresse a níveis saudáveis, ensina seus praticantes a respirar melhor através de mais de 58 modalidades de exercícios respiratórios. A prática da filosofia também proporciona flexibilidade e fortalecimento psicológico e muscular, assim como auxilia no aumento da concentração e ajuda a relaxar os músculos, os nervos, e as glândulas endócrinas (YESUDIAN, 1972).
2.5 Regulamentação da profissão e do profissional de Yoga
O crescente interesse pela prática do ioga tem despertado a curiosidade de pessoas no Brasil e no mundo inteiro. Apenas para se ter uma idéia, segundo estatísticas da União Nacional de ioga já são mais de 50 mil praticantes cadastrados nas Federações (LUCY, 1987).
[1] O sânscrito é a transliteração do DEVANAGARI, linguagem para revelações espirituais. Esclarecemos aos leitores que as palavras em sânscrito estarão apontadas conforme a transliteração científica universal, em letras maiúsculas e sem os acentos específicos que indicam a posição do aparelho fonador para a pronúncia correta dos sons. O alfabeto sânscrito é composto com sinais de prolongamento, nasalisação (ANUSVARA), aspiração (VISARGA), sons guturais, palatais, cerebrais, dentais, labiais, surdos e sonoros. Portanto, nem sempre a forma de escrita será a maneira de pronúncia.
[2] Artigo “Mitologia no ASANA: Mito e Símbolo”, publicado nos Anais do I Congresso Sul Brasileiro de Yoga, realizado pela AYPAR em maio de 2003.
[3] SIVA pronuncia-se SHIVA e KRSNA, KRISHNA. Na trindade hindu, BRAHMA é o Deus da criação, VISNU da manutenção e SIVA da transformação. KRSNA é uma encarnação de VISNU.
[4] Significa feito, realizado, perfeito.
[5] Traduz-se por de todas as coisas, guerra, desavença.
[6] Livro “Hatha: o abc do Yoga”.
[7] Manu seria um ser humano do primeiro grupo de Homo Sapiens Sapiens ao final do período neolítico.
[8] Cidade dravidiana milenar do Vale do Indo.
[9] Pronuncia-se Upanishads.
[10] Livro “Yoga: Repensando a Tradição”.
[11] Textos que representam a essência dos Vedas.
[12] Brahman é o Absoluto despersonificado, enquanto BRAHMA é o Deus personificado da trindade hindú. (... continua...)
sábado, agosto 01, 2009
Homenagem aos meus amigos : OS CÃES


Ausentes mas não esquecidos:
Empresto-lhe por um pequeno tempo
um cão meu, disse Deus
Para voce o amar enquanto ele viver
e ficar de luto quando ele estiver morto
Os anos poderão ser seis ou
dez ou até tão poucos como tres
Mas voce, até que eu o chame de volta,
tomara conta dele para mim?
Ele trara seus charmes para lhe agradar
e se sua estadia for breve
Voce tera as suas memorias
como consolo de sua dor
Eu não posso lhe prometer que ele permanecera
pois todos da Terra retornam
mas ha lições ensinadas ai embaixo
que eu quero que este cão aprenda
Eu vasculhei em todo o mundo
à procura de um real mestre
e dos muitos que povoam os campos da vida
Eu selecionei voce
Então agora voce lhe dara o seu amor
e não achara o trabalho em vão
nem me odiara quando venho para o chamar
para traze-lo de volta novamente?
Nós respondemos com sinceridade
Amado Senhor, que seje feita a Sua vontade
Para toda a alegria que este cão trará
Nos o abrigaremos com carinho
e o amaremos enquanto pudermos
E pela alegria que conheceremos
eternamente gratos seremos
Mas se os anjos o chamarem
muito mais cedo que planejamos
Nós saberemos da amarga dor que virá
e tentaremos entender .
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
A Ponte do Arco Íris
Bem do ladinho do céu tem um lugar chamado Ponte do Arco Íris.
Quando morre um animal que foi especial para alguém daqui, esse animal vai para Ponte do Arco Íris.
Lá existem riachos e colinas para que todos os nossos amigos possam correr e brincar juntos .
Tem muita comida, água e sol, e nossos amigos estão quentinhos e confortáveis. .
Todos os animais que estavam velhos e doentes voltaram a ter vigor e saúde; aqueles que estavam machucados ou aleijados estão inteiros e fortes novamente, exatamente como nas nossas lembranças dos tempos que já se foram.
Os animais estão felizes e contentes, exceto por uma coisinha: cada um deles sente falta de alguém muito especial , que teve que ficar para trás.
Todos correm e brincam juntos, mas chega o dia quando um subitamente para e olha para longe. Seus olhos brilhantes estão atentos; seu corpo treme de ansiedade. De repente ele começa a correr para longe do grupo, voando sobre o gramado verde, suas pernas indo mais e mais rápido.
Você foi avistado, e quando você e o seu amigo finalmente se encontrarem, vocês se abraçam numa reunião feliz, para nunca serem separados novamente. Os beijos alegres chovem sobre o seu rosto; suas mãos afagam de novo a cabeça amada, e você pode olhar mais uma vez nos olhos confiantes do seu amigo, ausentes há tanto tempo da sua vida mas nunca longe do seu coração.
Aí vocês cruzam juntos a Ponte do Arco Íris....
Autor desconhecido...
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++Gone but not forgotten
I'll lend you for a little time,
a dog of mine God said.
For you to love while he lives
and mourn when he is dead.
The years they may be six or
ten or even as few as three.
But will you, 'till I call him back,
take care of him for me?
He'll bring his charms to gladden you,
and shall his stay be brief,
You'll have his memories
as solace for your grief.
I cannot promise he will stay,
since all from earth return,
But there are lessons taught down
there I want this dog to learn.
I've looked the wide world over,
in search for a master true,
and from the throngs that crowd life's lanes,
I have selected you.
Now will you give him your love,
nor think the labour vain,
nor hate me when I come to call
to take him back again?
We answered in sincerity,
Dear Lord,Thy will be done.
For all the joy this dog shall bring,
We'll shelter him with tenderness,
and love him while we may,
And for the happiness we will know,
we'll ever grateful stay.
But shall the angels call for him
much sooner then we planned,
We'll know the bitter grief that comes,
and try to understand.
Rainbow Bridge
Just this side of heaven is a place called Rainbow Bridge.
When an animal dies that has been especially close to someone here, that pet goes to Rainbow Bridge.
There are meadows and hills for all of our special friends so they can run and play together.
There is plenty of food, water and sunshine, and our friends are warm and comfortable.
All the animals who had been ill and old are restored to health and vigor; those who were hurt or maimed are made whole and strong again, just as we remember them in our dreams of days and times gone by.
The animals are happy and content, except for one small thing; they each miss someone very special to them, who had to be left behind.
They all run and play together, but the day comes when one suddenly stops and looks into the distance. His bright eyes are intent; His eager body quivers. Suddenly he begins to run from the group, flying over the green grass, his legs carrying him faster and faster.
You have been spotted, and when you and your special friend finally meet, you cling together in joyous reunion, never to be parted again. The happy kisses rain upon your face; your hands again caress the beloved head, and you look once more into the trusting eyes of your pet, so long gone from your life but never absent from your heart.
Then you cross Rainbow Bridge together....
Author unknown...
quinta-feira, abril 23, 2009
*A discutível arte de AMAR*
"...Sinto uma imensa simpatia pelas coisas inversas, insensatas, concavas ou convexas...sei que sou o estorvo, que nada posso ser ou fazer sem que tenha que haver uma razão para acontecer.
Sou sedenta de justiça, mas as cometo deliberadamente. Sou doente de uma doença incurável, penso que tenho razões para chorar lágrimas, porém mal sei o que digo...E essa constante preocupação com a humanidade me faz sentir dores no peito, ruídos nos ouvidos, palpitações no coração pedinte, carente de sentimentalidades.
Sinto-me isolada de tudo e de todos, isolada da minha própria alma. Deixo que os dias passem sem pensar bem neles, e assim me sinto estúpida e incoerente com meus próprios anseios.
Não me encaixo na escala social. Nâo suporto a hipocrisia das pessoas sociais de quem os escritores falam. Não consigo me adaptar às normas da vida nesta sociedade corrupta e insana, que faz de nós fantoches ou figuras patéticas de revistas e noticiários...Não há como me convencer de que o melhor é me converter a este "socialismo" imoral, minha lucidez não permite e isto me leva à loucura."
VB_Lee
Sou sedenta de justiça, mas as cometo deliberadamente. Sou doente de uma doença incurável, penso que tenho razões para chorar lágrimas, porém mal sei o que digo...E essa constante preocupação com a humanidade me faz sentir dores no peito, ruídos nos ouvidos, palpitações no coração pedinte, carente de sentimentalidades.
Sinto-me isolada de tudo e de todos, isolada da minha própria alma. Deixo que os dias passem sem pensar bem neles, e assim me sinto estúpida e incoerente com meus próprios anseios.
Não me encaixo na escala social. Nâo suporto a hipocrisia das pessoas sociais de quem os escritores falam. Não consigo me adaptar às normas da vida nesta sociedade corrupta e insana, que faz de nós fantoches ou figuras patéticas de revistas e noticiários...Não há como me convencer de que o melhor é me converter a este "socialismo" imoral, minha lucidez não permite e isto me leva à loucura."
VB_Lee
NEM TODOS SUPORTAM...
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